quarta-feira, 10 de março de 2021

Lula: a verdadeira história de um político incansável


Um político nato

“A política está no meu DNA, só quando eu morrer deixarei de fazê-la. Fora da política, não há saída para a humanidade”. Foi o próprio Lula que, aos 75 anos, definiu assim seu papel no mundo, em uma entrevista recente para o renomado jornal espanhol El País.

Por trás da representativa frase, há um homem reivindicativo, empático, um líder respeitado internacionalmente e que, agora, não enfrenta mais nenhuma condenação relacionada à operação Lava Jato, já que o Supremo Tribunal Federal anulou todas. Na galeria, relembramos momentos de sua trajetória. Confira!

Origem: Luiz Inácio da Silva nasceu em Caetés, interior de Pernambuco, no dia 27 de outubro de 1945. Tinha sete anos quando mudou-se para São Paulo, com sua mãe e seus sete irmãos. Seu pai havia migrado anteriormente, em busca de melhores condições de vida, já que a família era extremamente pobre. A viagem, de mais de 2 mil quilômetros, foi feita em cima de um caminhão.

Ainda criança, Lula começou a trabalhar para ajudar na renda da casa. Vendeu laranjas na rua, foi engraxate e, aos 14 anos, contratado por uma empresa de armazenamento na capital paulista. No mesmo ano, fez um curso para torneiro mecânico, no SENAI, e abandonou os estudos.


Em 1974, casa-se com Marisa Letícia, com quem compartiu vida durante mais de 30 anos e teve três filhos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio. Foi sua segunda esposa e morreu em 2017, após sofrer um AVC.

Em uma das metalúrgicas onde trabalhou, sofreu um acidente em uma máquina, que levou os médicos a amputarem o dedo mínimo da sua mão esquerda.

Quase dez anos depois, consciente da importância dos direitos trabalhistas, fez um curso sobre sindicalismo na Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais, a maior central operária dos EUA e do Canadá.

Greve que incomodaram: Em plena ditadura militar, Lula exerceu o cargo de diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo dos Campos e Diadema (SP) e ganhou muita popularidade. Liderou greves por reajustes salariais, até que, visto como uma ameaça ao governo, foi preso, por alguns dias, em 1980.

Na mesma época, uniu-se a intelectuais, sindicalistas, militantes de movimentos sociais e religiosos e, juntos, criaram o Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1986, foi eleito deputado federal.

Presente na elaboração da Constituição de 1988: Como deputado, apoiou a jornada semanal de 40 horas, o aborto, a estatização do sistema financeiro e a reforma agrária, entre outras causas relacionadas à igualdade de direitos. Também contribuiu para a elaboração da Constituição de 1988.

Ao lado de personalidades políticas como Ulisses Guimarães e Eduardo Suplicy, lutou pela volta das eleições presidenciais diretas no Brasil, que só foram possíveis em 1989. Então, candidatou-se, pela primeira vez, ao cargo, mas perdeu para Fernando Collor de Mello.

Eleições 1994: “Aprendi de uma mãe analfabeta que não podemos viver ressentidos, que devemos ser fortes e acreditar que a vida pode melhorar. Tenho muito otimismo”. A declaração é de 2021, para o jornal El País, e mostra que Lula sempre teve certeza do que queria. De fato, não desistiu do seu objetivo e candidatou-se a presidente, novamente, em 1994 e 1998. Não ganhou.

Segundo presidente mais votado do mundo: Adotou um discurso mais moderado sobre mudanças na economia do país e, finalmente, elegeu-se, em 2002. Com mais de 53 milhões de votos, foi o segundo presidente mais votado do mundo, até aquele momento. O primeiro havia sido Ronald Reagan, nos Estados Unidos.

A vitória de um nordestino, de origem pobre, para o cargo mais importante do Brasil era histórica. As classes mais baixas viram-se, finalmente, representadas.

Luta contra a fome: Com seu carisma, Lula virou uma espécie de “salvador” para boa parte da população brasileira, que pôde sair do patamar de pobreza extrema ao ser favorecida com o programa de transferência de renda, Bolsa Família, e o programa Fome Zero. Os empregos também aumentaram.

(Na foto, Lula e os presidentes sul-americanos José Mujica, Cristina Kirchner, Fernando Lugo e Evo Morales)

Imagem positiva internacionalmente: O primeiro mandato de Lula foi marcado por um crescimento de 5,7% do PIB, mas também por escândalos de corrupção que envolveram ministros de sua confiança, como José Dirceu. Entretanto, sua imagem na esfera internacional não foi afetada.

Entre os líderes mundiais de prestígio: Em 2006, Lula foi reeleito e seguiu com sua política de preocupação com o meio ambiente, mais investimento na educação e na segurança alimentar, além do fortalecimento das Relações Exteriores.

Superstar: O jornal alemão Süddeutsche Zeitung o descreveu como “o político mais popular do planeta, para quem os poderosos fazem fila”

(Na foto, Lula está ao lado da rainha Elizabeth II da Inglaterra, durante reunião do G20, em Londres, em 2009).

Posicionou-se entre os líderes de mais prestígio do mundo, que não escondiam a satisfação de conhecê-lo. “Você é o cara”, disse-lhe o então presidente estadunidense, Barack Obama.

Influência: A influência de Lula e a importante posição ocupada pelo Brasil – sétima economia do mundo, na época em que foi presidente-, ajudaram para que o país fosse escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas 2016.

Ao terminar seu segundo mandato, Lula deixou seu legado nas mãos da companheira de partido, Dilma Roussef, que havia sido sua ministra de Minas e Energia e da Casa Civil. Com seu apoio na campanha eleitoral, ela venceu e foi presidenta do Brasil entre 2011 a 2016.


Em 2011, Lula foi diagnosticado com câncer de laringe e submetido a tratamento de radioterapia. No ano seguinte, o tumor tinha desaparecido, definitivamente.

Prêmios pela Paz: Em 2012, Lula ganhou, na Índia, o prêmio Indira Gandhi pela Paz, Desarmamento e Desenvolvimento, entregue pelo então presidente do país, Pranab Mukherjee. Além disso, foi um dos 300 indicados ao Prêmio Nobel da Paz, em 2019. Ganhou o Primeiro-Ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali.

Em 2016, Lula começou a ser investigado por crimes relacionados à lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e ocultação de patrimônio. Em 2018, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão do ex-presidente, condenado a 12 anos e 1 mês. Cumpriu 580 dias da sentença e foi solto, em novembro de 2019.

Elegível: Desde então, Lula tem sido um usuário ativo das redes sociais, onde publica opiniões sobre o governo Bolsonaro, imagens com pessoas influentes como o Papa Francisco ou de quando foi presidente. No dia 8 de março de 2021, comemorou a anulação de todas as suas condenações, o que o torna elegível novamente.



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